"tudo o que é ameaçado pelo tempo, para não morrer, segrega a mentira e, proporcionalmente, o perigo de morte. É por isso que não existe amor pela verdade sem uma admissão ilimitada da morte."
O homem que acha que os segredos do mundo são para sempre insondáveis vive no mistério e no medo. A superstição arrasta-o para o abismo. A chuva acabará por esfarelar os feitos da sua existência. Mas do homem que atribui a si mesmo a tarefa de isolar da trama do cosmos o fio da ordem podemos dizer que, com essa simples decisão, tomou as rédeas do mundo nas suas mãos e só dessa forma conseguirá ditar os termos do seu próprio destino.
Nao importa o que se ama. Importa a matéria desse amor. As sucessivas camadas de vida que se atiram para dentro desse amor. As palavras são um principio - nem sequer o principio. Porque no amor os principios, os meios, os fins são apenas fragmentos de uma historia que continua para lá dela, antes e depois do sangue breve de uma vida. Tudo serve a essa obsessão de verdade a que chamamos amor. O sujo, a luz, o espero, o macio, a falha, a persistencia.
As pessoas não têm consciência de que quando se empenham inteiramente em servir o sistema e fazem de peça útil, comprometem talvez o melhor de si próprias. Não chegam a desfrutar, do cume a que poderiam ter chegado, a dimensão para que foram feitas.
Lembra-te que todos os momentos que nos coroaram todas as estradas radiosas que abrimos irão achando sem fim seu ansioso lugar seu botão de florir o horizonte e que dessa procura extenuante e precisa não teremos sinal senão o de saber que irá por onde fomos um para o outro vividos
Procuro que a minha vida vá tendo a musicalidade duma constante pergunta e nunca o monolitismo paralisante duma conclusão. Estou absolutamente certo de que nem eu nem ninguém anda com a verdade no bolso, mas estou certo também de que dela irremediavelmente nos aproximamos pelas coisas que descobrimos e pelas resistências que vencemos.
Abro-te as portas querendo a tua luz numa sede de ti que não se acalma Não me negues a água que mata a minha sede Desejo o teu incêndio queimando a minha alma