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sábado, 16 de maio de 2009

Quando Nós...

Era o silêncio sobre a terra.
O mundo estava preparado.
No seu lugar, cada objecto esperava o início.
O sol esperava.
O mundo estava preparado e suspenso.
Nós, dentro dos homens, depois das nuvens, sabíamos como tudo ia acontecer.
O nosso olhar passava sobre os campos, rente à terra, atravessava os ramos das árvores e o mês de Julho.
No silêncio, distinguíamos as palavras que, durante um momento futuro, se iriam erguer como uma construção de cinza.
Nos objectos, distinguíamos os gestos que, a partir de um momento futuro, iriam alterar a sua ordem.
Era o silêncio.
A terra esperava passos.
O sol esperava olhares para iluminar.
O tempo, Julho, existia na distância entre os objectos suspensos.
Nós assistíamos à espera do mundo.
A terra sabia.
O sol sabia.
O tempo sabia.
Nós sabíamos.
Os homens não sabiam.
Ele e ela não sabiam.


José Luís Peixoto

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Recusa

Todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve de nada.
Ficaram só os papéis e a tristeza, ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e da morte.
Os domingos e as noites que passámos a fazer planos não foram suficientes e foram demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como lágrimas.
Sei que nos amámos muito e um dia, quando já não te encontrar em cada instante, em cada hora,não irei negar isso.
Não irei negar nunca que te amei.
Nem mesmo quando estiver deitado, nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo antes de a foder.

José Luís Peixoto

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O nosso lugar

Entre nós, não havia distância poque eramos atravessados um pelo outro. Faziamos parte de um lugar infinito que era igual em cada um de nós. Não eramos fronteiras dentro desse lugar, porque esse lugar não tinha fronteiras. Esse lugar era infinito. Esse lugar era o amor nos nossos olhos.

José Luis Peixoto