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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Vive o instante que passa.


Vive-o intensamente até à última
gota de sangue. É um instante
banal, nada há nele que o distinga
de mil outros instantes vividos.
E no entanto ele é o único por ser
irrepetível e isso o distingue
de qualquer outro. Porque nunca
mais ele será o mesmo nem tu que o
estás vivendo. Absorve-o todo
em ti, impregna-te dele e que ele
não seja pois em vão no dar-se-te
todo a ti. Olha o sol difícil
entre as nuvens, respira à
profundidade de ti, ouve o vento.
Escuta as vozes longínquas de
crianças, o ruído de um motor que
passa na estrada, o silêncio que
isso envolve e que fica.

E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és.

Vergílio Ferreira

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Despeito

Hoje a obsessão foi mais forte.
Escrever-te.
E um dia perguntei-te se tinhas guardado estas cartas.
Tu olhaste-me com o teu sorriso breve e repreensivo.

Rasguei-as,
naturalmente, disseste,
e porque havia de guardá-las?

Vergílio Ferreira

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Crua derrota


De vez em quando a eternidade sai do teu interior e a contingência substitui-a com o seu pânico.
São os amigos e conhecidos que vão desaparecendo e deixam um vazio irrespirável.

Não é a sua 'falta' que falta, é o desmentido de que tu não morres.


Vergílio Ferreira